O Bloco celebra 61 anos com cortejo marcado por encontro de gerações, criatividade nas fantasias e forte presença da população.

Colaboração: Leidiane Lamarão
Com o apoio do Governo do Amapá, A Banda voltou a ocupar as ruas de Macapá e confirmou, mais uma vez, sua força como um dos maiores símbolos do Carnaval amapaense. Em sua 61ª edição, o tradicional bloco arrastou uma multidão e transformou o Centro da capital em um grande corredor de alegria.
Antes mesmo de o cortejo começar, a tradição já dava o tom da festa. Como manda o ritual, o famoso caldo foi servido aos brincantes, reunindo foliões de diferentes idades em clima de confraternização.

Quando o desfile ganhou as ruas, o cenário era de cores, fantasias improvisadas e muita irreverência. Crianças nos ombros dos pais, grupos de amigos caracterizados e famílias inteiras acompanhando o trajeto, seja caminhando atrás do bloco, seja observando das portas e janelas de casa.
Neste ano, uma novidade chamou a atenção do público, a chegada de uma maria-fumaça cenográfica garantida pelo Governo do Amapá. Sobre a locomotiva, integrantes da velha guarda da diretoria de A Banda foram homenageados como patrimônios vivos da cultura local. O símbolo do passado cruzou as ruas ao lado do presente vibrante do bloco, em um verdadeiro encontro entre gerações.

Os tradicionais bonecos gigantes, sempre muito aguardados, também fizeram a alegria dos brincantes. Entre eles, os saudosos casal de Rei Momo do Carnaval, Mestre Sacaca, Alice Gorda e o ex-presidente da Banda, professor Savino, além de outras figuras emblemáticas que ajudaram a eternizar momentos marcantes da folia.
Pelo segundo ano consecutivo, a abertura da programação ficou por conta do Grupo Afoxé Tucuju, que comandou o início do cortejo com banho de cheiro, caixas de Marabaixo, música e espiritualidade. A participação do grupo garantiu ainda a presença de representantes de matrizes religiosas, ampliando o caráter inclusivo da festa e reafirmando o respeito à diversidade.
A presidente do Afoxé, Eliza Congó, destacou o simbolismo do momento.
“Estamos nessa festa linda pelo segundo ano e agradecemos imensamente ao Governo do Estado e à Secretaria de Cultura, que nos permitem trazer para o Carnaval o nosso Marabaixo, a nossa matriz africana e mostrar que o Carnaval é inclusão de todas as manifestações culturais. É bonito ver a cultura afro-amapaense ocupando esse espaço com respeito e alegria”, afirmou.
O presidente do bloco A Banda, Helder Sá, também ressaltou a importância do apoio institucional do Governo para manter a tradição. Segundo ele, o suporte do Estado fortalece a estrutura do evento e permite que o bloco cresça sem perder a essência popular.
“Ver essa multidão nas ruas é a maior prova de que estamos, há 61 anos, no caminho certo da alegria. Neste ano, organizamos com os responsáveis pelos trios para que, durante todo o percurso, fossem garantidas músicas carnavalescas. Assim, vamos brincar este Carnaval com muito respeito ao próximo, alegria e segurança”, afirmou, emocionado.
O secretário de Cultura em exercício, Márcio Fran, destacou o papel estratégico do evento para o Estado. Para ele, investir na festa é valorizar a identidade do Amapá, estimular o turismo, gerar renda e preservar a história cultural da população.
No meio da multidão, a empolgação era contagiante. Fantasiado de marinheiro, um grupo de amigos chamava atenção pela organização. O padeiro Railan Santana, que integra a turma, contou que a preparação começa com antecedência.
“É o momento de extravasar e aproveitar a folga do trabalho. Por isso, a gente se organiza, produz as fantasias e vem brincar junto”, disse.

A criatividade tomou conta do percurso. Houve homenagens inusitadas, referências a personagens populares, fantasias irreverentes e até um cacho de uva desfilando entre confetes e serpentinas. Para muitos, a imaginação é parte essencial da experiência.
A festa também atraiu quem viveu o Carnaval pela primeira vez. Morando há um ano no estado, o inglês Douglas McLean, que acompanhava o cortejo, disse estar impressionado com a organização e a segurança.
“Achei muito divertido e muito bem organizado. Estão todos de parabéns por realizarem uma festa tão bonita”, destacou.

Além dos foliões, empreendedores aproveitaram o movimento para garantir renda extra. Ao longo do trajeto, vendedores ambulantes reforçaram o clima festivo e movimentaram a economia local.
Entre marchinhas, apitos e uma multidão animada que seguia sem pressa, A Banda mostrou por que atravessa décadas reinventando-se sem perder a essência. Mais do que um bloco, é um patrimônio afetivo que segue arrastando multidões e mantendo viva a tradição do Carnaval nas ruas de Macapá.
Segurança
Para garantir a segurança dos foliões, o Governo do Estado montou um forte esquema com 400 agentes atuando nas ruas, além de apoio aéreo do Grupo Tático Aéreo (GTA) e monitoramento por videomonitoramento.
A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar e equipes do Samu também estiveram presentes durante todo o percurso de A Banda.








